Instituto Brasileiro de Museus
Museu da InconfidênciaMuseu da Inconfidência recebe esculturas de São Benedito e do Rei Mago Baltazar em nova etapa do Movimento de Aquisição de Obras para Museus Brasileiros

O Museu da Inconfidência (MIN), em Ouro Preto, recebe no dia 15 de maio, às 17h, as esculturas de São Benedito e do Rei Mago Baltazar, incorporadas ao acervo da instituição por meio do Movimento de Aquisição de Obras para Museus Brasileiros. A cerimônia de entrega marca mais uma etapa da iniciativa coordenada pelo Instituto de Pesquisa e Promoção à Arte e Cultura (IPAC), em parceria com o Ministério da Cultura, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e o Museu da Inconfidência.
Viabilizada com o patrocínio da CAIXA Residencial, a incorporação das obras inaugura a Coleção CAIXA Residencial no acervo do Museu. As esculturas passam a integrar a exposição gratuita que ficará em cartaz até o dia 30 de julho, ao lado de outras peças recentemente adquiridas pela instituição.
A programação de abertura contará ainda com representantes do Congado de Nossa Senhora do Rosário, além de um bate-papo com o pesquisador Fábio Zarattini, doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da UFMG. O encontro propõe uma reflexão sobre políticas de aquisição, formação de acervos museológicos e os sentidos históricos e simbólicos das obras incorporadas.
Para o diretor do Museu da Inconfidência, Alex Calheiros, a chegada das esculturas reafirma o compromisso institucional de ampliar criticamente as narrativas presentes no espaço museológico. “Receber no acervo do Museu da Inconfidência as imagens de São Benedito com o Menino Jesus e do Rei Mago Baltazar, assim como os trabalhos das artistas Jeane Terra e Thaïs Helt, reafirma a missão institucional de rever criticamente as narrativas, ampliar os sujeitos representados nas exposições e reconhecer a presença negra como dimensão constitutiva da história de Ouro Preto e de Minas Gerais”, afirma.
A mostra reúne também obras contemporâneas das artistas Jeane Terra e Thaïs Helt, estabelecendo diálogos entre patrimônio, memória e narrativas coloniais. As esculturas de São Benedito e do Rei Baltazar, referências importantes da devoção popular brasileira, evocam a presença afrodescendente na formação cultural do país e evidenciam o papel da arte sacra como espaço de resistência e afirmação identitária durante o período colonial.
Segundo Daiana Castilho Dias, diretora do IPAC e coordenadora do Movimento, a incorporação das imagens ao acervo ultrapassa a dimensão patrimonial. “Trata-se de um movimento curatorial que reposiciona o olhar, desloca narrativas e reinscreve, no centro da história, corpos que durante séculos foram mantidos à margem da representação”, destaca.
Incentivado pelo Ministério da Cultura e pelo Ibram, o Movimento de Aquisição de Obras para Museus Brasileiros propõe fortalecer políticas públicas de preservação e democratização do acesso ao patrimônio cultural, articulando iniciativa privada, poder público e sociedade civil na ampliação e qualificação dos acervos públicos brasileiros.
A presidenta do Ibram, Fernanda Castro, ressalta que a iniciativa contribui para o enfrentamento dos silenciamentos históricos presentes na construção da memória nacional. “Ao incorporar obras que evocam a presença afrodescendente na formação cultural do país, o Museu da Inconfidência amplia sua capacidade de abordar temas sensíveis e de contribuir para o enfrentamento dos silenciamentos históricos”, pontua.
Para Rodrigo Valença, diretor-presidente da CAIXA Residencial, a iniciativa reforça o compromisso da instituição com a valorização da cultura e da memória brasileira. “Este projeto carrega um propósito que representa a nossa identidade e o potencial transformador da arte e da história brasileira, valorizando artistas e fortalecendo a memória da cultura nacional. Além do acesso ao público para conhecer ainda mais a nossa história, a iniciativa também incentiva a criação de oportunidades na região para que a economia criativa e o turismo sejam motores de desenvolvimento social e econômico para diversas comunidades locais”, afirma.