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Museu da Inconfidência recebe exposição inédita de David Almeida sobre barroco, devoção popular e imaginário brasileiro

David Almeida, Concha e morro, 2024-2026 (detalhe). Foto: Cortesia do artista e Almeida & Dale, São Paulo

O Museu da Inconfidência (MIN), em Ouro Preto, inaugura, no dia 6 de junho, “Devagar com o andor que o santo é de barro”, nova exposição individual do artista David Almeida. A mostra reúne pinturas inéditas, objetos-oratórios produzidos pelo artista e ex-votos de um acervo local, propondo um diálogo entre o barroco mineiro, o catolicismo popular e diferentes formas de construção da imagem no Brasil.

Desenvolvida a partir de pesquisas e viagens realizadas por Minas Gerais, a exposição investiga a formação da pintura brasileira a partir de elementos da religiosidade popular e do patrimônio cultural mineiro. Sem buscar a reconstituição histórica, as obras aproximam pintura, crença e imaginário como dimensões de uma mesma experiência cultural.

Os ex-votos ocupam papel central na mostra. Tradicionalmente produzidos como agradecimento por promessas alcançadas, esses objetos são apresentados como uma chave para refletir sobre uma origem popular da imagem no Brasil. Para David Almeida, essas produções revelam formas de mediação entre experiência coletiva, espiritualidade e representação visual.

“A pintura no Brasil nasce de um desejo importado, mas reinventado por outras crenças, geografias e formas de ver. O que me interessa é justamente esse desvio: quando uma imagem chega aqui e deixa de pertencer ao seu lugar de origem para ganhar outra vida. Os ex-votos me interessam porque são uma origem popular da imagem no Brasil — pinturas feitas não como afirmação autoral, mas como prestação de contas do sensível, uma mediação entre crença, experiência e aquilo que não se consegue explicar”, afirma o artista.

Além das pinturas, a exposição apresenta uma série de objetos escultóricos descritos por Almeida como oratórios. Construídos a partir de fragmentos encontrados em antiquários, caçambas e viagens, os trabalhos preservam vestígios de suas funções originais ao mesmo tempo em que deslocam seus significados, transitando entre memória, invenção e espiritualidade popular.

A mostra dá continuidade a questões presentes em Vigília, exposição realizada pelo artista em 2024, aprofundando reflexões sobre memória, crença e os modos pelos quais narrativas culturais são construídas e reinventadas ao longo do tempo.

Representado pela galeria Almeida & Dale, David Almeida desenvolve uma pesquisa voltada à experimentação pictórica em diferentes suportes, articulando paisagem, memória, corpo e imaginário. Ao longo de sua trajetória, participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, consolidando-se como um dos nomes de destaque da produção artística contemporânea brasileira.

“Devagar com o andor que o santo é de barro” permanece em cartaz no Museu da Inconfidência até 16 de agosto, com entrada gratuita. A exposição amplia o diálogo entre arte contemporânea e patrimônio histórico, aproximando diferentes temporalidades e formas de experiência da cultura brasileira.

Serviço:

Exposição “Devagar com o andor que o santo é de barro”, de David Almeida
Abertura: 06 de junho de 2026
Duração: até 16 de agosto de 2026
Sala Manoel da Costa Athaíde – Anexo do Museu da Inconfidência
Rua Vereador Antônio Pereira, 33, Centro, Ouro Preto – MG

Ficha técnica:

Texto: Matheus Drumond
Coordenação geral: Bianca Volpi
Assistente de estúdio: Curusam
Montagem: Willon de Assis Moreira Maia Pereira e Bruno Martins Rodrigues
Design gráfico: Pedro Brucz e Rita Sepulveda de Faria